quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Coletivo Saci

Mãe saci diz pro filho saci: "Olhe, meu filho, vá num pé e volte noutro!"
O sacizinho foi e nunca mais voltou.

domingo, 15 de novembro de 2009

Contabilização do prejuízo

Como já fui assaltado & afins muitas vezes e estou quase perdendo a conta, vou colocando aqui pra evitar esquecer.

#1 - Durante o Abril Pro Rock 2008, Recife - Eu tava com a bolsa cheia de todas as coisas e na verdade quem foi assaltado foi Pedro, mas eu tava lá então tá valendo

#2 - Meados de 2008, na farmácia perto do MAG - encurralado entre carros do estacionamento, pelo menos o boy foi generoso e disse que eles só queriam o celular. Me encontrei com esse boy algumas vezes depois, mas a gente nem se falou.

#3 - Antes de algum dia do Cineport 2009, em frente ao Clube dos Oficiais - Eu lá voltando pra casa ouvindo Caetano no mp3 e nem escuto quando chega um bicho na bicicleta, pedindo com indizível cavalheirismo: "EI BOY, O CELULAR, OSH MIZERA". Uns quinze metros mais pra frente tinham uns dois mendigos. "Pooo, era pra tu ter corrido pra cá, velho, a gente dava um jeito nesse bicho. Esse povo é foda, po. A gente toma uma, a gente fuma maconha, mas não dá valor a isso não, po. A gente tá aqui justamente esperando chegar o dono desse celular que a gente achou ali no estacionamento." Bom saber que existem mendigos maconheiros solidários. Luna tava passando de carro na hora, comentário dela: "Ah, eu te vi hoje quando tu tava voltando do colégio, lá perto do Clube dos Oficiais! Ai eu tava achando estranho, 'osh, de onde Matteo conhece esse menino na bicicleta?'"

#4 - Saindo do aniversário de Bras - Um bixo numa moto, uma mulher atrás, três horas da manhã, rua deserta. Tudo tenso.

#5 - Num 202 indo pra Jaguaribe, entre setembro e outubro de 2009 - Eu lá no 511 indo pra integração pra pegar o ônibus pra Jaguaribe, escutando Apple Juice Kids no mp3. Quando entro no ônibus de Jaguaribe, lotadíssimo, boto o mp3 dentro da bolsa pra evitar ficar muito a mostra e eu ser assaltado. Quando desço do ônibus descubro que no bolso onde deveria estar o mp3 só tem meu passe legal, a carteira e algum embrulhinho de plástico. E na carteira tinha 20 reais a menos. Essa porra, vou resmungando o caminho inteiro, e quando chego na Praça do Clube dos Veteranos chego já resmungando com Diego e Lívio e vou revistar melhor minha bolsa pra me certificar que fui roubado. Ai descubro que o tal embrulhinho era uma sacola de plástico enroladinha com uma quantidade de um pó branco dentro. Depois de um instante de perplexidade, Pedro Osmar me manda jogar fora aquilo que é perigoso e não pode dar bobeira e a polícia e nãoseique, e abandono lá debaixo de um saco de lixo. No outro dia descubro que era um saquinho de sal que Shambock tinha botado na minha bolsa sem me avisar quando ela tava com pressão baixa.

#6 - Dia das crianças de 2009, no Retão de Manaíra - Eu com a minha bolsa com todas as coisas dentro, indo em direção ao Shopping. No meio do caminho aparecem dois bichos na bicicleta que estavam no asfalto e sobem pra calçada de repente, mas seguem em frente. Quando chego na farmácia perto do shopping, lá vem eles voltando, e falando alguma coisa. Porra nenhuma, quis nem saber, e meti a carreira, só pra ser cumprimentado com um "CORRA NÃO SEU MIZERA", e disparei entre os dois. Duas mulheres vinham andando na minha frente calmamente, e quando me escutaram correndo se viraram e viram alguma coisa. Eu não sei o que elas viram, mas começaram a correr aterrorizadas, e uma delas que tava de salto alto tropeçou e caiu no chão. No meu instinto foda-se do momento, continuei correndo e em trinta segundos tinha entrado no shopping, subido pra praça da alimentação, dado a volta e descido de novo, só pra me encontrar com Carlos Campos que tirou onda de mim por estar no Shopping.

#7 - Dia da proclamação da República de 2009 - Minha mãe viajando, o gás vazando na cozinha e nada pra preparar no microondas. Saio de casa com cinqüenta e cinco reais pra almoçar num restaurante aqui perto, ai no meio do caminho lá vem um bicho de bicicleta: "Ei boy, tá afim de levar um tiro? Então vá passando aí, celular, carteira, e saia de perto de mim", e foi-se embora. Provavelmente ele nem tinha uma arma, mas não tava afim de descobrir. Voltei pra casa sem dinheiro, sem celular e sem almoçar. Almocei pipoca de microondas.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

9909-5768

De manhã no intervalo do colégio me liga esse número, e é a cobrar. Imagino que deve ser algum dos meus amigos pobres ligando a cobrar do celular de outra pessoa. Desligo e tento retornar, mas acabo não conseguindo falar, o número me liga mais algumas vezes e depois desiste. Outro dia me liga de novo, tento retornar e dá que o número não existe. Começo a ficar curioso. Outra vez que ele tentou me ligar alguns dias depois, até consegui retornar, mas a pessoa do outro lado da linha ficou muda. Aí comecei a ficar com raiva. Passam várias semanas e o número fica ligando o tempo todo, e eu às vezes ignorando às vezes tentando retornar, e nunca conseguindo. Uma vez até consegui, e uma voz de mulher perguntou "de quem é esse telefone?" Aumentou meu ódio pelo número. Até hoje ele está salvo na minha agenda sob o nome "Mzr".

Mais ou menos um mês depois da primeira vez que ele ligou, ele liga de novo. Incansável. Tento uma última vez, movido mais pela curiosidade do que por qualquer outra coisa. Retorno. Atendem. Finalmente. Um diálogo com o dono do número desconhecido. Transcrevo-o aqui:

MATTEO - Quem é?
MZR (voz de criança) - Helicópterohelicópterohelicópterohelicópterohelicóptero!

Foi a última vez que ele ligou.